O período de férias escolares costuma ser marcado por mudanças na rotina de crianças e adolescentes. Com mais horas livres e menos atividades estruturadas, aumenta o uso de computadores, celulares, tablets e videogames. Embora essa seja uma realidade comum às famílias, há uma preocupação crescente entre especialistas: o aumento do tempo nas telas está diretamente relacionado ao avanço da miopia, uma alteração visual que, em muitas situações, torna-se irreversível.
“Nos últimos anos, diversos estudos apontam um crescimento expressivo da miopia infantil no mundo. A condição ocorre quando o globo ocular cresce além do esperado ou quando a córnea apresenta maior curvatura, fazendo com que a imagem se forme antes da retina. O resultado é uma visão borrada para longe, que compromete o desempenho escolar, o convívio social e, nos casos mais graves, pode causar doenças oculares no futuro, como descolamento de retina e glaucoma”, confirmou o médico oftalmologista do Instituto de Olhos de Vila Velha, Gustavo Federici Mendes.
Durante o período letivo, a rotina tende a ser mais dinâmica: deslocamento até a escola, prática de esportes, atividades ao ar livre. Nas férias, esse cenário se inverte. As telas tornam-se a principal fonte de entretenimento, o tempo em ambientes internos aumenta e a exposição à luz natural, tão importante para o desenvolvimento saudável dos olhos, diminui.
Gustavo Federici Mendes lembra que a recomendação internacional é clara: “crianças e adolescentes devem passar, no mínimo, 2 horas por dia ao ar livre”. Essa simples medida contribui para desacelerar a progressão da miopia. No entanto, nas férias, muitos passam o dobro ou até o triplo desse tempo em frente às telas, aumentando o risco de progressão da doença.
A miopia não é reversível, mas a oftalmologia moderna dispõe de recursos que ajudam a controlar sua progressão. Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, melhores são os resultados. Entre as estratégias mais utilizadas estão:
- lentes especiais para controle da miopia;
- colírios com atropina em baixa concentração;
- acompanhamento periódico com exames específicos;
- incentivo a hábitos saudáveis, como atividades ao ar livre.
O oftalmologista do Instituto de Olhos de Vila Velha esclarece que cada caso deve ser avaliado individualmente pelo médico oftalmologista. “A indicação da melhor abordagem leva em consideração idade, histórico familiar, grau de miopia e estilo de vida do paciente”, disse.
Pequenas mudanças na rotina familiar podem fazer grande diferença:
- estabeleça limites de tempo para o uso de telas;
- a cada 20 minutos de dispositivo, oriente a criança a olhar para longe por 20 segundos;
- estimule brincadeiras ao ar livre, caminhadas e esportes;
- evite telas antes de dormir;
- observe sinais de dificuldade visual, como aproximação excessiva de objetos ou queixas de dor de cabeça.
No Instituto de Olhos de Vila Velha, o acompanhamento oftalmológico é realizado com protocolos modernos e equipamentos específicos para avaliar o crescimento ocular e o risco de progressão. Exames periódicos são fundamentais, especialmente em períodos de maior exposição a telas.
